Geral 02/07/2023

Um novo mundo para o mercado

Publicado por Marcelo Casagrande | Revista Builders, ed.9/ano 10, 2023. 


O metaverso tem revelado novas oportunidades para o setor da construção civil, que já está mudando a maneira de executar e apresentar projetos.


A construção civil é um dos mercados mais antigos que existem, mas também é o meio que mais passa por transformações e vive em constante evolução. Uma nova tecnologia está mudando a maneira de se executar e apresentar um projeto. Esta inovação está mudando a experiência interativa, principalmente no modo como conhecemos uma planta de edificação.


O metaverso é mais uma novidade que pode ser utilizada neste mercado para contribuir. O conceito é relativamente recente, de um escritor americano chamado Neal Stephenson, que o criou em uma obra ficcional de 1992. Trata-se de uma reprodução do universo em outra dimensão, uma dimensão virtual, geralmente 3D. Na Construção Civil, as plataformas reproduzem o metaverso com características fiéis ao universo real.


Muitas construtoras e incorporadoras têm usado o metaverso como uma alternativa às plantas tradicionais, unindo o recurso à modelagem 3D, algo que já se tornou comum no mercado da Construção Civil. Esta utilização busca deixar o futuro cliente com a expectativa mais próxima da obra finalizada, o ambiente se torna palpável, praticamente.


As empresas de arquitetura já estão desenvolvendo os projetos e plantas com a tecnologia sendo utilizada desde o início do projeto. O arquiteto da JR Andrade Arquitetura, Júnior Andrade, explica como é o processo: "Essa tecnologia traz inúmeras vantagens, como a possibilidade de criar modelos virtuais altamente detalhados que contêm informações sobre todos os elementos do projeto, desde a estrutura até os acabamentos. Com o uso de Building lnformation Modeling (BIM), podemos melhorar a comunicação entre os membros da equipe, reduzir erros e retrabalhos, além de aumentar a eficiência e produtividade do escritório".


Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Construção Civil cresceu 5,9% em 2022, acima da média do PIB do País. O setor também foi o segundo que mais gerou vagas de emprego com carteira assinada. A utilização de novas tecnologias também favorece o desenvolvimento e a movimentação de capital, principalmente em um setor tão sólido e confiável. O metaverso traz novas perspectivas de mercado e cria outras expectativas para os profissionais. Pelo fato de ser uma tecnologia recente, o fator de crescimento também é novo, mais empregos podem ser gerados e a tendência é de que o setor da Construção Civil continue sendo um grande benefício deste desenvolvimento, favorecendo a criação de mais experiências e crescimento econômico.


METAVERSO NO DIA A DIA


O gerente de TI da Patriani, Carlos Alexandre, conta que a empresa criou dois estandes com uma arena metaverso para exemplificar o espaço de lazer ao lado do salão de jogos nos empreendimentos. "Para a companhia, a experiência foi única os clientes puderam visualizar como seriam as áreas comuns dos prédios e puderam interagir por meio de óculos VR com jogos de entretenimento.  “É válido citar que os óculos VR, ou óculos de realidade aumentada, são ferramentas aliadas ao metaverso: eles possibilitam a imersão do cliente no "universo" proposto pela empresa.


ASSERTIVIDADE


Carlos Alexandre acredita que investir em tecnologia faça a empresa tomar decisões rápidas e de forma assertiva. "Isso nos traz eficiência de entregar o imóvel no prazo e com mais qualidade. As empresas que investem em tecnologias saem na frente e, consequentemente, provocam a competitividade no setor. Nossos empreendimentos aliam tecnologia e sustentabilidade", afirma. Conforme citado, o recurso também pode colaborar para a economia de materiais e tornar o processo sustentável, outra questão que é cada vez mais cobrada no mercado da Construção Civil dos tempos atuais. Economia que colabora para uma experiência única do futuro cliente.


O desenvolvimento tecnológico do setor beneficia todas as partes envolvidas em um empreendimento e também agrega valor à obra. O gerente de TI da Patriani cita uma característica única: o test drive de vista. "Estamos investindo nos estandes, que se tornaram cenários para algumas dessas experiências que envolvem tecnologia, como a de conhecer de perto a vaga com depósito e o ponto de recarga para carro elétrico. Como se estivesse em um elevador, o cliente tem a percepção exata da altura e da vista da cidade, a partir do andar que escolheu comprar sua unidade", revela o executivo.


TOUR VIRTUAL E IMERSIVO


A Tecnisa é mais uma companhia que utiliza a tecnologia a seu favor. A empresa disponibiliza o tour virtual por todo o empreendimento. "A primeira aposta no metaverso foi com o lançamento do tour virtual e imersivo 'Virtureal Experiência 3D', que permite que o público 'passeie' pelas áreas comuns e por um apartamento decorado do Kalea Jardins, empreendimento de alto padrão lançado em dezembro de 2022", afirma o diretor de incorporação da Tecnisa, Henrique Cerqueira.


A Tecnisa usa uma técnica diferente dos óculos VR, mas que também possibilita a mesma qualidade de experiência e é desenvolvida por uma das gigantes do metaverso. "O tour virtual, desenvolvido pela MetaOriginal, transmite as imagens de ambientes em um telão posicionado em uma das salas do estande Kalea Jardins by Tecnisa. Com navegação controlada por um tablet, a inovação da experiência está na rapidez e na fluidez, uma vez que as imagens 3D são geradas e renderizadas em tempo real", explica Henrique Cerqueira. A fluidez em tempo real gera uma experiência em que o cliente se sente realmente dentro do empreendimento. Cabe à empresa escolher o melhor tipo de tecnologia para aliar ao seu metaverso. É importante lembrar, no caso das incorporadoras, que o cliente precisa captar as características do imóvel da melhor forma, tendo noções reais de espaço, profundidade, largura e altura.


O tour virtual viabilizou a negociação da cobertura do empreendimento, o imóvel de maior valor da incorporadora. "O Virtureal Experiência 3D nos apoiou na venda da cobertura do Kalea Jardins, um duplex de 728 m2, vendido por R$32 milhões. Antes de fechar a compra, o cliente 'visitou' o apartamento decorado e as áreas comuns do empreendimento por meio do metaverso", explica o diretor de incorporação da Tecnisa.


AOS OLHOS DOS CLIENTES


A realidade aumentada - o metaverso - está sendo utilizada pelas incorporadoras, construtoras e escritórios de arquitetura, mas ela deve ser de uso amigável, prático e simples no momento de apresentação ao cliente final: ele é o elo mais importante, o interessado final no imóvel. "Metaverso chama muita atenção. A possibilidade de visualizar características de projetos, que passariam despercebidas em imagens 2D, torna a experiência melhor. Parece que estamos dentro do imóvel já pronto.


Por outro lado, é uma tecnologia que ainda tem custo elevado e pouca mão de obra qualificada. Pode causar tontura ou desconforto visual para algumas pessoas", afirma o diretor geral da DHI Construções, Dhiego Romera.


A democratização do acesso à tecnologia do metaverso também precisa ser fornecida aos profissionais que lidarão diretamente com o cliente, de modo que eles precisam de capacitação e treinamento para este trabalho, mais uma necessidade em que o mercado vai precisar se preparar para suprir a demanda. O cliente precisa se sentir seguro para investir, sendo convencido por uma tecnologia nova, bem diferente da usual.



O mundo tecnológico segue avançando em tempo recorde e o metaverso é mais um capítulo da história das tecnologias que vão se tornar cada vez mais comuns, num piscar de olhos. "Os softwares de renderização de imagens e vídeos que ilustram de maneira quase realista maquetes 3D de casas ou prédios estão sendo cada vez mais usados. Muitas vezes chegamos a confundir se é uma montagem ou uma foto", finaliza Dhiego Romero.

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