Mercado

O ano de 2011 e os desafios do Brasil

O ano de 2010 passou muito rápido! 2010 já é passado e 2011 chegou, cheio de desafios. O Brasil se solidificou como um país de oportunidades de acontecimentos louváveis. Como tenho ouvido muito por ai, “as oportunidades estão aí para quem conseguir aproveitar e pegar o ‘bonde’ do desenvolvimento”. É importante saber que temos uma economia sob controle, com boas perspectivas e uma migração social robusta que colabora nesse sentido. Um exemplo bastante positivo surgiu no campo do emprego. O índice de 5,7% de desempregados é o menor desde 2002, segundo o IBGE. Ótimo, mas o que esperar para de nossa economia em 2011? Continuaremos crescendo e garantindo a oportunidade de emprego para quem chega ao mercado de trabalho? Essa é apenas uma das questões que o novo governo precisará responder. Governo que começa diante de um desafio: o alerta causado pela alta da inflação é um dos fatores de preocupação do mercado. A inflação está, mais uma vez, na pauta do cotidiano. Com o incentivo ao consumo criado pelo maior poder de compra, muitos brasileiros foram às compras e o aquecimento da economia trouxe de volta a alta nos preços. O Banco Central rapidamente agiu para conter o consumo e encareceu os financiamentos mexendo no compulsório dos bancos – influenciando assim a quantidade de dinheiro disponível para emprestar (liquidez). Mais seriedade e infraestrutura Parece cada vez mais claro que o nosso crescimento está limitado a 4% ou 5% ao ano sem que tenhamos que nos preocupar com a inflação. Depreende-se dessa observação algo no mínimo importante: um dos grandes temas de debate para o futuro é o crescimento sustentável. Como crescer de forma sustentada, sem sobressaltos? Como garantir crescimento da ordem de 6% ou mais, como em 2010, mas sem ter que ver os juros subindo? Minha opinião é óbvia e direta: o governo precisa investir em infraestrutura para que nossas limitações de crescimento não se tornem problemas constantes para o desenvolvimento do país. Além disso, precisa gerenciar melhor seus próprios recursos e colocar em prática reformas importantes e o fim do inchaço da máquina pública. Porque ao encarecer o crédito, aumentando os juros como medida para esfriar a economia, ataca-se a doença e não a causa do problema. Em pouco tempo a economia tende a se indexar, o governo verá sua dívida pública se elevar e os empresários pensarão duas vezes antes de empreender ou investir nas empresas e projetos brasileiros. Taxa Selic, um remédio amargo É claro que ao olharmos para o horizonte maior de tempo, a curva e a tendência de baixa na Selic são evidentes. Entretanto, o que fica nítido é que estamos, em alguns momentos, escolhendo como solução o procedimento mais fácil, rápido e não uma solução efetiva que passe pelo gerenciamento eficiente dos gastos públicos – o que aumentaria a capacidade de investimento do Estado. Um novo governo é sempre uma oportunidade de fazer algo novo e melhor. Esperamos que o Banco Central continue tendo sua liberdade e autonomia na tomada de decisões, mas também que o governo possa fazer melhores escolhas e desenvolver controles, além de gastar melhor. Será preciso coragem, apoio político, disposição e muito trabalho, mas o Brasil merece esse esforço. O Brasil precisa dar um salto de qualidade em todos os setores, inclusive para fazer bonito e aproveitar economicamente os benefícios dos eventos que teremos nos próximos anos (Copa, em 2014 e Olimpíadas, em 2016). Precisamos acelerar nossos passos de forma organizada e competente, mas acima de tudo de forma a fazê-los sair do papel.