Catar 2022. Descubra um pouco mais sobre esse incrível país.
Para a população de 2,7 milhões de habitantes, o momento é único porque, embora o país nunca tenha participado do maior evento futebolístico do planeta, sediar a Copa já garante a classificação. Por ser o 4º país mais rico do mundo segundo a Forbes (perdendo apenas para Luxemburgo, Singapura e Irlanda), o Catar pôde investir pesado em toda a infraestrutura do evento, que já é considerado o mais caro de todos os tempos, segundo estudo da Keller Sports.
Estamos falando de cerca de U$ 3 bilhões de investimento só na construção das sete novas arenas e a reforma completa de um estádio. Tantos investimentos para o evento resultaram nos ingressos mais caros nos últimos 20 anos da competição. Para se ter uma ideia, eles estão custando 40% a mais que os do Mundial de 2018, na Rússia.
A jornada catari de sucesso
Há um século, o Catar não passava de um assentamento de pescadores e catadores de pérolas. A maior parte dos moradores era de nômades que viajavam pela Península Arábica. O negócio de catar pérolas sofreu um grande baque nas décadas de 1930 e 1940, quando os japoneses aprimoraram a técnica de cultivo das gemas.
Foram tempos difíceis, em que muitas pessoas deixaram o país em busca de oportunidades. Por volta de 1950, restaram menos de 24 mil habitantes. A reviravolta se deu com a capitalização de uma das maiores reservas de petróleo do planeta, descobertas em 1939. Os anos seguintes foram de enriquecimento acelerado, graças às exportações do ouro negro.
A prosperidade atraiu pessoas e investidores para o país, aumentando a população para mais de 100 mil e elevando o PIB (Produto Interno Bruto) a U$ 300 milhões, já em 1970. Um ano depois, o Catar se tornou um país independente com o fim da presença britânica no país, que deu outro grande salto de prosperidade: a descoberta de gás natural. Na verdade, a terceira maior reserva do mundo.
A partir daí, o Catar só enriqueceu. E soube aplicar seus rendimentos em tecnologia e aprimoramento, aumentando as exportações e os lucros. Assim, além de altos salários, os catarianos (o que exclui a maioria dos habitantes, que é de expatriados) também passaram a desfrutar de educação e saúde públicas de qualidade.
Doha, a capital do país, se transformou em uma metrópole agitada e moderna, repleta de prédios valiosos e de arquitetura arrojada. Aos poucos, o Catar está se tornando um polo tecnológico, educacional e cultural, pensando na garantia de seu futuro com o esgotamento de suas jazidas.
Curiosidades sobre o Catar
Por lá, tudo é tão diferente do mundo ocidental que coisas do cotidiano deles são motivo de espanto para nós e para quem decide experimentar o turismo do Catar. Em parte por causa da cultura e da religião, mas também pelas condições climáticas.
Calor – a temperatura gira em torno de 30°, podendo chegar – o que não é raro – a 50° no verão. Por conta desse calor, as piscinas são resfriadas. O ar-condicionado está em todo lugar, inclusive na rua. Há lugares em que eles são instalados sob o chão, esfriando espaços, como praças públicas, de baixo para cima. Doha tem prédios inteiros que são resfriadores, chamados de Qatar Coolers. Um prédio assim não tem locais para as pessoas, é somente um ar-condicionado gigante.
Pets – nada de poodles ou gatinhos fofos – o que domina por lá é a criação de animais silvestres e selvagens, principalmente os falcões. A paixão catari por esses animais é tão intensa que tem pet shops inteiramente dedicadas a eles, com acessórios como cordas, gaiolas e protetores de visão para evitar estresse quando expostos a desconhecidos. Inclusive, as companhias aéreas deixam os falcões voarem com seus tutores na cabine, enquanto os cachorros só podem viajar na caixa de transporte.
A incrível preparação para a Copa
Os investimentos no preparo para o Mundial superam os U$ 200 bilhões, tornando essa edição a mais cara da história. Talvez a mais polêmica também, com algumas questões envolvendo as condições de trabalho dos operários das obras e a rigidez conservadora do país diante de alguns temas, por exemplo.
Mesmo assim, é impressionante o empenho em preparar tudo para o evento, deixando a identidade cultural do país marcada nos empreendimentos. Ao todo, oito estádios abrigam as partidas do Mundial, sendo sete deles construídos do zero e um reformado.
Stadium 974
A inovadora construção com capacidade para 44.089 pessoas, feita apenas com contêineres e módulos de aço é uma homenagem à tradição de comércio e navegação do país. O nome do estádio também traz duas curiosidades: 974 é o código de discagem internacional do Catar e o número exato de contêineres usados na sua construção.
Lusail Stadium
O jogo de luz e sombra da típica lanterna “fanar” é a referência do design deste estádio. A forma e a fachada de Lusail fazem uma alusão aos entrelaçados motivos decorativos em tigelas e outros vasos característicos do artesanato árabe e islâmico. Esse estádio é o maior do Catar, comporta 88.966 torcedores e será o palco da cerimônia de encerramento.
Khalifa International
Construído em 1976, é o estádio mais antigo do Catar, e único que foi reformado para a Copa. Entre as novidades, o destaque vai para o sistema de resfriamento e a criação de um novo nível, que adicionou 10.450 assentos, totalizando 45.857 pessoas nas arquibancadas.
Education City
Ao longo do dia, com o movimento do sol pelo céu, as cores desse estádio parecem mudar. Esse efeito acontece por causa dos triângulos que formam um padrão visual geométrico com formato de diamantes ostentado na fachada. Como os diamantes, o design do estádio representa qualidade, durabilidade e resiliência. O Education City, que abriga 44.667 pessoas, recebeu esse nome porque fica em uma região cercada de universidades.
Al Thumama Stadium
O layout deste estádio, que tem capacidade para 44.400 torcedores, remete à “gahfiya”, uma touca tradicionalmente usada pelos homens e meninos do Oriente Médio. É um símbolo de dignidade e independência.
Al Janoub
Com design curvilíneo moderno e futurista, abriga 44,325 pessoas. O estádio é equipado com um teto retrátil inspirado nas velas dos tradicionais barcos Dhow, usados pelos mergulhadores de pérolas da região para navegar pelo Golfo Pérsico.
Al Bayt Stadium
O nome do estádio é uma menção às “bayt al sha'ar”, tendas historicamente usadas por povos nômades no Catar e na região do Golfo. Com uma área superior a 30 campos de futebol, o Al Bayt Park tem amplos espaços verdes com áreas de lazer e estações de exercícios, além de pistas para corrida, ciclismo, equitação e passeios de camelo. Com essa área impressionante, abriga 68.895 pessoas.
Ahmad bin Ali Stadium
Construído após a demolição de outro estádio, o Ahmad bin Ali tem uma fachada ondulada, com armação remetendo às dunas de areia do deserto vizinho. Por volta do estádio, um tipo de rede dá a ilusão de um tecido rendado, sustentado pela estrutura. À noite, é um deleite para os olhos. Neste estádio cabem 45.032 torcedores.
Lusail, uma cidade inteira construída para a Copa
Você sabia que a final da Copa de 2022 vai ser em uma cidade criada para isso? Lusail fica a 20 quilômetros da capital e foi a cidade que recebeu a estreia da seleção brasileira na Copa.
As obras começaram em 2005 e custaram pelo menos US$ 45 bilhões. A cidade carrega a visão de um mundo ambientalmente sustentável e interconectado, que converge infraestrutura com desenvolvimento humano. O conceito se baseia em quatro pilares:
- Melhorar vidas
- Inspirar uma nação
- Elevar uma cidade
- Transformar paisagens
Lusail se estende por uma área de 38 quilômetros quadrados e inclui quatro ilhas exclusivas e 19 distritos residenciais multifuncionais, de uso misto, entretenimento e comerciais. A expectativa é de abrigar 450.000 habitantes, que desfrutarão de uma smart city ambiciosa, com e-educação, e-saúde, previsões meteorológicas automatizadas, cartões inteligentes e prédios equipados para automação total