Lar

Acervo doméstico

Transformar sua casa em um museu é fácil. Sei disso porque recentemente vivi uma cena que me fez lembrar uma expedição arqueológica em território doméstico. Direto para a tumba de Tutancâmon! Fotos, poeira, revistas velhas, livros que já deviam ter ido para o lixo há décadas, boletins de escola, cadernetas, poeira, cheiro de mofo, espirros. Aaaatchim!! Eram caixas vindas de outra casa e que precisavam de uma triagem antes de seguirem para um novo local de trabalho. Trabalho esse que acabou virando uma maratona com direito a doses cavalares de desgaste físico (carregar, tirar, abaixar, limpar...) e emocional – a cada fotografia ou cartinha tirada do fundo o baú imaginário (na vida real: sacolas plásticas e caixas de papelão rasgando de tão pesadas), lembranças boas – outras nem tanto – ganhavam uma dimensão que parecia ocupar todo o ambiente. Sou do time que acha que casa não é lugar para fazer acervo. Casa é lugar e energias fluindo e onde armazena-se apenas o necessário, o que tem valor. Isso não quer dizer que você precise fazer uma fogueira para carbonizar o passado. Mas, sim, ter critérios muito claros de escolha enquanto decide o que vai embora e o que fica no lugar que você mora. No caso dessa minha expedição arqueológica particular, o que ficou foi o que tinha real importância: fotos de família, negativos fotográficos, livros que ainda serão consultados. Tudo devidamente limpo com paninho, reorganizado em embalagens práticas para futuras consultas e próprias para evitar para o acúmulo de poeira. Caixas com tampa e pastas plásticas (dessas com elástico) resolvem bem o assunto. Quanto aos livros e revistas, em tempos de i-Pad não tem sentido guardar volumes e mais volumes nas prateleiras de casa, certo? Quer ler outra vez? Baixa o livro no aparelhinho mágico e pronto. Quer descobrir as novidades da sua revista favorita? As melhores do ramo já contam bom aplicativos incríveis, baratos e simples de baixar. No mais, é olhar pra frente e deixar o que passou exclusivamente para aqueles momentos especiais em que vale a pena ver de novo a própria história – desta vez, muito mais organizada.