Blockchain: quais são seus impactos no mercado imobiliário?

Entenda a tecnologia que utiliza cadeias de dados e saiba como ela pode tornar transações imobiliárias mais seguras e simples.

2 de julho de 2019

Uma das inovações que prometem trazer grandes mudanças para o mercado imobiliário é a blockchain. A tecnologia, apesar de complexa, já é usada no setor, por isso decidi estudá-la bastante e me preparar para os seus impactos em meus investimentos. Neste artigo vou ajudar você a compreendê-la melhor.

A blockchain, ou cadeia de dados, em português, é a tecnologia que deu origem às moedas digitais. Ela funciona como um banco de dados, capaz de armazenar informações imutáveis e invioláveis, que fica aberta para o público — em qualquer lugar e a qualquer hora.

Imagine ter mais confiança e transparência no mercado imobiliário. Com essa tecnologia, o sistema de registro de imóveis pode sofrer melhoras significativas, tornando as transações de compra e venda mais seguras e simples.

A blockchain é lembrada como uma tecnologia bastante complexa, que ainda parece distante dos negócios mais tradicionais. No entanto, ela já é usada em diversos setores e pode trazer grandes impactos para os negócios. Neste artigo, entenda o que é essa cadeia e saiba como ela pode ser aplicada no mercado imobiliário. Boa leitura!

O que é blockchain

Embora as moedas digitais sejam rapidamente associadas à blockchain, a tecnologia pode ser aplicada de várias formas. O sistema registra blocos de dados em cadeia, vinculando as informações umas às outras. Assim, torna transações de diversas naturezas mais seguras e pode beneficiar diferentes atividades.

Imagem apresenta telas com números indicando investimentos

Mas como funciona o sistema? Todas as transações digitais são assinadas e registradas por um grupo de computadores independentes. A blockchain não fica em um lugar físico específico. Ela é online e conta com um grupo de máquinas conectadas à internet. 

Quando uma pessoa faz uma transação, todos os computadores envolvidos no processo recebem cópias que a comprovam. Essa informação é então validada pelos computadores em uma espécie de auditoria — as máquinas conferem os dados entre si — antes de ser integrada à cadeia.

Assim se forma uma corrente de dados criptografados que registra todo o histórico de movimentação. Com a conferência de dados e o encadeamento em blocos, ataques de hackers e violações das informações se tornam muito mais difíceis. Por isso, há muito mais segurança e transparência nas operações que envolvem a tecnologia.

A blockchain no mercado imobiliário

A blockchain está bastante ligada aos Bitcoins — moedas criadas há quase dez anos. No entanto, ela pode ser usada para muitas outras finalidades, como validar contratos, troca de ações e venda de imóveis, por exemplo.

No mercado imobiliário, o uso de correntes de dados pode ajudar a tornar todo o processo mais fácil, reduzindo a burocratização dos processos e a ameaça de fraudes. Isso acontece por que, por meio da blockchain, informações legais, habitacionais e ligadas às propriedades são criptografadas e ficam públicas na internet.

Para que você entenda melhor, imagine a venda de uma casa. Nesse caso, as pessoas envolvidas na transação — tanto quem vende quanto quem compra um imóvel — ficam conectadas. As informações da propriedade ficam registradas digitalmente, guardadas em um sistema quase inviolável. Assim, podem ser enviadas com rapidez e de forma simples.

Em alguns países já é possível comprar imóveis com moedas digitais. A cada dia mais pessoas e empresas aceitam essas moedas para o pagamento de um imóvel. 

Vantagens da blockchain no mercado imobiliário

Agora que você já entendeu como a blockchain pode ser usada no mercado imobiliário, conheça com mais profundidade as vantagens que a tecnologia traz ao setor.

Mais praticidade

Como você já percebeu, a blockchain pode facilitar bastante a vida de profissionais e pessoas interessadas em comprar e vender imóveis. Uma transação imobiliária é um processo complexo, que envolve vários intermediários — como corretores, companhias de títulos, de garantia, cartórios e assim por diante.

As diversas etapas da transação são necessárias por que cada intermediário tem acesso a informações que não ficam disponíveis ou demandam conhecimentos e licenças para serem usadas. Como os bancos de dados da blockchain são públicos, é possível que qualquer pessoa registre informações — pois o sistema de segurança é bastante confiável — e tenha acesso às que já estão na cadeia.

Ou seja, a tecnologia acaba com a necessidade de tantos intermediários, tornando o processo mais rápido, barato e simples.

Imagem que mostra um celular + tecnologia

Nos casos dos títulos, é possível fazer a transferência de um imóvel com o auxílio de um documento digital, que pode ser enviado com rapidez, facilidade e custos reduzidos. Isso acontece porque as moedas criptografadas, como o Bitcoin, criam um título digital que não precisa ser carimbado e encaminhado para o cartório, ao contrário do papel.

Leia também: Tecnisa é uma das primeiras empresas brasileiras a aceitar bitcoins.

Garantia de segurança

Como mencionado, a blockchain é um sistema praticamente incorruptível. Como todas as informações são validadas por vários computadores antes de entrar na cadeia, não há a possibilidade de que algum dado seja fraudulento. Além disso, para invadir o sistema seria preciso ter acesso a todas as máquinas envolvidas ao mesmo tempo, quebrando a criptografia de bloco a bloco, sucessivamente.

Com o auxílio da tecnologia, informações e documentos — como certificados digitais de propriedade — ficam mais seguros, pois não podem ser replicados e nem falsificados. Dessa forma, compradores e vendedores negociam com mais segurança e têm menos trabalho.

Facilidade para pagamentos e financiamento

Os financiamentos, assim como todas as etapas da transação imobiliária, têm várias etapas e dependem de intermediários, os bancos e as organizações privadas que concedem crédito. Como a blockchain registra informações seguras e facilita o contato entre quem empresta o dinheiro e quem o solicita, ela também facilita esse processo.

A tecnologia também acaba com cadastramentos complicados, reduz os custos das transações e automatiza fluxos de pagamento. Assim, ajuda a reduzir juros e taxas, permitindo que pequenos investidores atuem no mercado imobiliário e que mais pessoas consigam financiamento para comprar imóveis.

Homem olhando para o celular

Maior movimentação no mercado

Com a transparência da tecnologia a lucratividade fica mais previsível. Além disso, as facilidades trazidas pela cadeia de dados podem levar muitas pessoas a comprar e financiar imóveis. Isso pode provocar um aumento da procura por moradia, de financiamentos e investimentos, movimentando mais o mercado imobiliário e, consequentemente, gerando mais lucro.

Como você viu, a blockchain pode trazer grandes benefícios para compradores e investidores, removendo muitas das deficiências do processo de negociação de móveis. Apesar de ainda parecer uma tecnologia distante, ela já é usada em vários projetos.

Projetos que usam a cadeia de dados

Mesmo que em pequena escala, há projetos que já buscam colher os benefícios da blockchain. Conheça algumas das aplicações da tecnologia que já funcionam no mercado imobiliário. 

Brickblock

O Brickblock é um sistema que usa o blockchain para criar contratos inteligentes. Esses contratos têm suas ações automaticamente executadas quando as condições estabelecidas são cumpridas pelas partes — isso acontece por meio de um software que usa a blockchain.

No projeto, edifícios podem passar por um processo parecido com o da abertura de capital. Em uma plataforma é possível que investidores de todo o mundo e com experiências diversas comprem ações do imóvel.

The Bee Token

A The Bee Token é uma startup internacional que criou a Beenest, uma plataforma descentralizada de compartilhamento de casas que funciona de forma à do Airbnb: uma pessoa cede sua casa para que outra a utilize durante um período predeterminado.

O diferencial do projeto é que ele usa a blockchain. A tecnologia permite que a transação entre hóspede e anfitrião aconteça sem intermediários e use moedas criptografadas. Assim, os custos do processo são muito menores — o que permite à organização não cobrar comissão dos usuários.

Rentberry

A Rentberry é uma empresa norte-americana que tem uma plataforma de aluguel e negociação de preços de imóveis. Ela usa a blockchain para conectar vendedores e inquilinos, automatizando ações que vão desde o envio de informações pessoais até os contratos de locação e o envio de solicitações de manutenção. A ideia é funcionar como um leilão de aluguel transparente, sem ofertas secretas. 

Quem procura por um imóvel pode usar filtros para encontrar a moradia ideal. Ao ver uma proposta interessante, a pessoa se candidata e vê o número de pessoas que também têm interesse pela propriedade. Quando o locatário escolhe um candidato, toda a documentação é assinada e enviada pela internet, de forma segura.

Proppy

A Proppy é uma empresa do Vale do Silício que tem o objetivo de revolucionar a compra de imóveis mundialmente. Por meio da blockchain e dos contratos inteligentes, ela permite que títulos e outros documentos sejam feitos e enviados online, facilitando transações imobiliárias mesmo entre países diferentes. A organização também aceita Bitcoin como uma forma de pagamento.

Neste artigo você compreendeu melhor o que é blockchain, como ela funciona, os benefícios que pode trazer ao mercado imobiliário e viu alguns projetos do setor que já a utilizam. 

Por mais que a tecnologia ainda pareça complexa e distante, há diversas empresas que já a utilizam, inclusive no Brasil. A Tecnisa, uma das empresas mais inovadoras do mercado, passou a aceitar a moeda Bitcoin como forma de pagamento para parte do valor de entrada dos imóveis. Se interessou? Saiba mais em nosso site.