Tecnisa faz aposta em coworking e compra 25% da BoxOffice

Nigri, presidente da incorporadora, avalia que negócio pode vir a se tornar maior do que o atual, voltado ao mercado residencial.

13 de julho de 2021

A Tecnisa comprou 25% da “proptech” BoxOffice Soluções em Mobilidade. Com a aquisição, a incorporadora pretende expandir sua atuação no segmento de “coworking” e, quem sabe, fazer parte de um negócio que possa, futuramente, se tornar maior do que o seu principal – de desenvolvimento, produção e venda de imóveis residenciais. “A meta é que a plataforma vire um unicórnio”, diz o presidente da Tecnisa, Joseph Nigri.

O valor da aquisição não foi divulgado, nem o “valuation” (avaliação de preço) da plataforma de locação de gestão de espaços flexíveis de trabalho. A BoxOffice é uma empresa especializada em novas tecnologias de escritórios.
Por enquanto, a BoxOffice opera dez “mini offices” próprios, localizados em shopping centers, lobbies de edifícios de escritórios e faculdades, tendo como clientes profissionais autônomos, segundo a presidente, Roberta Carvalho de Souza.

A atuação da plataforma poderá vir a se expandir para fora da capital paulista. A partir da parceria com a Tecnisa, o foco será direcionado para empresas que buscam se adequar a um modelo híbrido de trabalho. A plataforma oferecerá serviço de consultoria em relação à área do escritório a ser mantida, conforme a necessidade da empresa, além de seus espaços e os da Tecnisa, e áreas de empresas tradicionais de “coworking” que passarem a ser negociadas pelo aplicativo.

As estações de trabalho compartilhadas em desenvolvimento pela Tecnisa que levam a marca WorkPod serão incluídas na plataforma, cujo nome será redefinido em até 45 dias. BoxOffice continuará como marca dos “mini offices”.
Com a pandemia de covid-19, a incorporadora passou a reforçar, nos projetos, a área dos edifícios destinada a “coworking”. Outra decisão da Tecnisa resultante do crescimento do “home office” foi destinar para espaços de trabalho compartilhados áreas que, inicialmente, iriam para desenvolvimento de “studios”. Nesse caso, os
“coworkings” poderão ser utilizados por moradores das torres residenciais ou por terceiros.

A Tecnisa fará três lançamentos, neste trimestre, na cidade de São Paulo, com uma torre inteira ou parte de um edifício para espaços de trabalho compartilhado. Os empreendimentos serão desenvolvidos fora das áreas centrais da capital paulista. A incorporadora pretende vender a maioria das unidades da marca WorkPod e manter parte em carteira. A operação dos prédios será feita por empresas de “coworking” que se comprometam a comprar pelo menos um andar. “No futuro, as pessoas poderão trabalhar de qualquer lugar, mas não em qualquer lugar”, diz o presidente da Tecnisa.
Segundo Nigri, companhia avaliou que seu avanço no segmento de “coworking” dependia de plataforma em que empresas pudessem “pagar um passe” para os funcionários escolherem onde querem trabalhar. Com a compra de 25% da BoxOffice, o presidente da Tecnisa se torna um dos conselheiros da plataforma. O colegiado é formado também por Roberta e Cesar Moitavan Concone, fundadores da BoxOffice há dois anos e meio, e Christian Hunt, que entrou como sócio posteriormente. Concone é diretor operacional da empresa.

Os espaços a serem oferecidos em conjunto e as áreas de trabalho intermediadas pela plataforma vão contribuir, ressalta Roberta, para menos deslocamento por parte de funcionários das empresas que utilizarem os serviços oferecidos. Ela acrescenta que se trata de solução flexível para necessidades de redução ou aumento de tamanho da área ocupada. Nigri destaca que as empresas poderão, ao mesmo tempo, gastar menos com ocupação de escritórios e possibilitar que os funcionários tenham mais qualidade de vida.
Segundo Hunt, em seis meses, a plataforma vai captar recursos com investidores de private equity ou venture capital para financiar nova ampliação da escala de atuação. Ainda não há definição dos valores a serem levantados.
Nigri conta que a Tecnisa tem buscado também outras inovações. Exemplo disso é a área de “self-storage” (armazenagem) para moradores e não moradores em empreendimento a ser lançado na Chácara Flora.

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