Institucional

Amor, ódio ou Decepção?

É incrível como as facilidades dos tempos modernos dificultam a vida das pessoas. Dia desses me peguei refletindo sobre os avanços da tecnologia e como este processo tem contribuído para o retrocesso dos seres humanos. Não é de se estranhar que tenhamos nos acostumado facilmente com a velocidade que a Internet nos proporciona para uma comunicação muito mais rápida, pesquisa, estudo, aprimoramento profissional e troca de experiências com todos os países do mundo, sem falar na otimização que a tecnologia oferece, ainda que de forma customizada e um pouco tímida em nossas vidas pessoais e profissionais. O espanto acontece justamente quando pensamos nessa convergência das mídias, que junta num só aparelho o telefone, a agenda, os e-mails, o computador, a televisão e a sua privacidade. Eu confesso que tudo isso me atrai de certa forma, ainda que com algumas ressalvas. Ora, o que foi criado para facilitar e otimizar nossas vidas, para que ganhemos tempo, o faz com tanta eficácia que nos consome, sufoca e cria uma dependência tal que é quase impossível definirmos se a relação com a tecnologia é de amor, ódio ou decepção. Quando justamente imaginamos que teremos mais tempo, descobrimos que temos muito mais coisas para fazer e que viramos reféns da própria criação. Ao mesmo tempo que a tecnologia possibilita maior transparência e mais velocidade nas comunicações por um lado, permite por outro investimentos em redes de negócios virtuais com lucros reais e personagens imaginários, relacionamentos pontuais ou casuais, emocionais ou sazonais, ativos e receptivos, imaginários, visuais, sensitivos ou platônicos cibernéticos. Somos o que somos, ainda que não saibamos, ou melhor, somos o que imaginam de nós, ainda que não sejamos. Confuso? Nenhum pouco, principalmente para uma geração que já se acostumou a manifestar carinho por meio de bytes e gerencia sua vida fazendo uso dos aparatos tecnológicos para otimizar tempo e maximizar o lazer. E olha, é cada dia maior o número de serviços ofertados e soluções para gestão de tempo, e esta mesma oferta é diretamente proporcional ao aumento do número das nossas obrigações diárias com a tecnologia. São mais e-mails para responder, mais tempo trabalhando, menos horas para o lazer e um contato face a face cada dia mais distante. Ora, o que era para aproximar, está alienando; o que era para juntar, está afastando; o que era para convergir, está divergindo e no seu próprio conceito de aplicação. Eu proponho um desafio: tente ficar dois dias sem responder e-mails ou fazer uso da tecnologia que você tem acesso e me conte depois o tamanho do prejuízo. Seus amigos vão perguntar o que está acontecendo, você terá um acúmulo de estresse só de olhar a sua caixa postal e ainda é capaz de descobrir que teve gente procurando por você em alguns hospitais da sua cidade. Parece brincadeira, mas é a nossa realidade. Muito mais caracteres digitados, muito mais negócios fechados, muito menos olhos nos olhos e muito menos diálogo. Somos seres conectados com o mundo e desconectados de nós mesmos. Divergentes ou convergentes? Qual é o caminho da felicidade? O que é felicidade? Quem viver, verá! Com os próprios olhos, ou na tela de uma máquina... E que nome você dá para isso: amor, ódio ou decepção? Carlos Alberto Julio Presidente da HSM do Brasil e vice-presidente do conselho da Tecnisa.