Conceito inovador no mercado imobiliário está sendo aplicado em um empreendimento que será lançado em 2009 em São Paulo
A construtora Tecnisa é a primeira do mercado imobiliário a se identificar como empresa amiga do idoso. A intenção é estar preparada para atender os anseios de um público em crescimento, o de pessoas da terceira idade. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2025, o Brasil terá a sexta maior população de idosos no mundo, com mais de 32 milhões de pessoas acima dos 60 anos. Este número deve corresponder a 15% da população estimada para 2020. No ano de 2000, a proporção de idosos era de 8,6% e atualmente representa 10% da população, sendo que hoje 1,6 milhão de brasileiros já tem mais de 80 anos.
De olho nas estatísticas, a Tecnisa montou um grupo multidisciplinar, formado por professores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), arquitetos, engenheiros, gerontólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais. A missão destes especialistas é entender as necessidades da 3ª idade e projetar empreendimentos “senior friendly”, seguindo o conceito do desenho universal, lançado em 1991 pelo arquiteto Ron Mace.
Os quesitos, no total de sete, pressupõem uma moradia adequada para qualquer fase da vida, a “moradia para a vida toda”, com a eliminação de barreiras para minimizar os problemas comuns ocasionados pela diminuição da capacidade funcional. Os quesitos são: uso eqüitativo, flexibilidade no uso, uso simples e intuitivo, informação perceptível, tolerância de erros, pouco esforço físico e adequação do tamanho e espaço para aproximação.
“Estamos planejando como serão os imóveis que vamos entregar em quatro ou cinco anos. Na prática, isto significa privilegiar pisos opacos, corrimãos ergonômicos, rampas de acesso e outras facilidades para conquistar os moradores que estarão na base da pirâmide brasileira em poucos anos”, explica Romeo Busarello, diretor de marketing da Tecnisa.
As mudanças vão posicionar a Tecnisa como a primeira empresa do setor imobiliário com postura “senior friendly”, seguindo um caminho trilhado no mundo inteiro por segmentos das áreas de turismo e alimentação que já se identificam pela consciência gerontológica. Os novos empreendimentos da Tecnisa terão áreas comuns de convivência que incluam os idosos, menos escadas, mais rampas, escadas submersas para facilitar o acesso às piscinas, corredores mais largos, pisos antiderrapantes, eliminação de cantos vivos, portas mais largas, entre outros detalhes.
A empresa também está se preparando para prestar uma verdadeira consultoria na customização dos apartamentos “da porta para dentro”. Ou seja, a equipe de arquitetos da Tecnisa está se capacitando para poder oferecer uma assessoria personalizada que encontre as melhores soluções e os fornecedores mais adequados para cada caso.
Um exemplo prático de atuação amiga do idoso é o desenvolvimento de uma fechadura na parte superior da maçaneta, diferente do modelo tradicional. A intenção é que a fechadura seja de fácil acesso no momento da abertura da porta. A Tecnisa já está em negociação com o seu principal fornecedor de fechaduras, para elaboração de um protótipo.
Segundo a arquiteta Patrícia Valadares, gerente de Projetos da Tecnisa, atitudes que incluam o idoso representam uma quebra de paradigma e uma mudança de cultura. “Muitas coisas estão nos detalhes e estamos trabalhando para criar uma arquitetura universal que atenda o maior número de pessoas, da criança ao idoso”, explica.
Um grupo de inovação, formado por arquitetos, engenheiros, decoradores, paisagistas e vendas reúne-se periodicamente para discutir tendências e já está aplicando os conceitos da consciência gerontológica em um empreendimento que será lançado em 2009, na Água Rasa, em São Paulo.